25 de junho de 2018
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O SACERDÓCIO UNIVERSAL DOS CRENTES E A MÚSICA

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Além dos clássicos pilares da Reforma (Os 5 Solas: Escrituras, Fé, Graça, Cristo, Glória somente a Deus), a Reforma propôs uma profunda mudança na Eclesiologia (modo de entender o que vem a ser “igreja”). “Todos os crentes são sacerdotes pelo simples fato de ser cristão”, afirmou Lutero. A base está em Cristo como o sumo sacerdote.

Algumas Bases Bíblicas

No Antigo Testamento já lemos sobre a intenção de Deus, o de constituir uma nação sacerdotal, não uma casta exclusiva apenas.

“Se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade particular dentre todos os povos… vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa.” Êxodo 19.5,6

“Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus.” Isaías 61.6

O Novo Testamento vai além e concretiza o plano de Deus. Apresenta:

1. Cristo, o único mediador – 1Tm 2.5
Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.

2. Todos os crentes partilham desse sacerdócio nas áreas da adoração, ministério e testemunho.

“Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” 1 Pedro 2.5

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” 1 Pedro 2.9

“Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai…” Apocalipse 1.5,6

Assim sendo temos uma Dicotomia errônea:

  • Autoridade Eclesiástica na Direção versus o Leigo na Execução.
  • Se todos são sacerdotes, então, qual a diferença?

A diferença está no chamado, na vocação dada a cada um. Uns são ordenados como ministros da Palavra e pastores do rebanho, outros não. Porém todos são dotados de dons e algum chamado divino.Contudo, a autoridade do ministro é sempre derivada das Escrituras, fora isso não há autoridade em si mesmo. Lutero chamou de “servo da Palavra divina” ( minister verbi divini ). Por outro lado, todos os cristãos tem capacidade de julgar desde que por meio da Palavra também.

Implicações práticas

  1. Todo o cristão tem acesso a livre e direto a Deus através de Cristo;
  2. Todo o cristão tem comunhão plena e exclusiva com Deus.
  3. Todos somos sacerdotes de Deus. Sentido comunitário – orar uns pelos outros, servir uns aos outros, etc.
  4. Todos são chamados para algum ministério.
  5. Não há dicotomia entre trabalhos. Universalidade do reino de Deus.

Implicações na Música

Hoje podemos servir com canto tendo a Palavra como base. Não somente profissionais da música, mas a todos os que foram chamados e consequentemente habilitados para tal serviço ministerial. Abaixo temos dois textos que norteiam o uso da música na igreja.

  1. Ensino das doutrinas de Cristo – Cl 3.16
  2. Comunhão espiritual – Ef 5.18,19

Finalizamos com as palavras de Calvino sobre a música:

Nem a voz nem o canto tem algum valor ou algum proveito para Deus se não nascerem de um afeto íntimo do coração. Ao contrário, irritam a Deus e provocam sua cólera se só sai dos lábios […]. Apesar disso, não condenamos aqui nem a voz nem o canto; antes os apreciamos muito, contanto que acompanhados do afeto do coração. Porque dessa maneira ajudam o espírito pensar em Deus e o mantém nele […]. Além disso, como a glória de Deus deve resplandecer em todos os nossos membros de nosso corpo, convém que língua, criado especialmente por Deus para anunciar e glorificar o seu santo nome, seja empregada em fazer isso, falando ou cantando. (Institutas III. XX, 31).

E ainda que a prática do canto possa se estender mais amplamente; ela é, mesmo nos lares e nos campos, um incentivo para nós, de certo modo, um órgão de louvor a Deus, para elevar nossos corações a Ele, e consolar-nos pela meditação de Sua virtude, bondade, sabedoria e justiça: isto é, tudo aquilo que é mais do que alguém possa dizer […]. Agora, entre outras coisas que são próprias para entreter e recrear o homem e lhe dar prazer, a música é tanto a primeira como a principal; e é necessário pensar que este é um dom de Deus a nós delegado para tal fim. (Prefácio do Saltério de Genebra, 1542).

So Sublime The Name Sampa Glorioso Name (Band) J.S.Bach Prelude VI (Synth Version)